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A casa do médico

A antiga e tradicional sede social da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), edifício construído em um terreno de quase 5 mil m², situado no Centro expandido da capital paraibana, continua vivo na memória de muitas gerações. Afinal, ali, num amplo e solene salão com um pé-direito de 8 m de altura, eram realizados os famosos bailes carnavalescos dos anos 60, embalados por marchinhas e músicas da época.

Com o passar do tempo, entretanto, o edifício foi abandonado e atingiu um estado sério de deterioração. Até que, a convite do Conselho Regional de Medicina da Paraíba, o jovem arquiteto Gilberto Guedes analisa o imóvel apresentado pela imobiliária Execut e confirma sua viabilidade para implantação da Nova Sede do Conselho. O edifício, um exemplar discreto da arquitetura moderna dos anos 60, mantinha, apesar de tudo, uma área construída privilegiada e instigante, com muita potencialidade, segundo avaliação de Guedes.

O programa definido pela diretoria do CRM-PB propunha, entre outros itens, a criação de um centro cultural aberto à comunidade, com setores de pesquisa e memória (museu), além de espaços para reuniões, conferências, cursos, exposições e atividades administrativas, incluindo setores de apoio e serviços. Ao definir o partido arquitetônico, Guedes decidiu por uma solução de diálogo ou interação entre o passado e o presente tradição e o contemporâneo.

Contudo, “na inexistência do projeto estrutural original, fomos obrigados a realizar um levantamento arquitetônico e várias prospecções, com ajuda do escritório de cálculo Tecncon, a fim de entender a estrutura portante da construção”, revela o arquiteto. O edifício em forma de L, com dois blocos e um pavimento além do térreo, abrigava espaços generosos, incluindo o salão de jogos e baile, palco, bar, restaurante e quadra poliesportiva. Essas características motivaram o arquiteto a optar por uma linguagem racionalizada, flexível, despojada e limpa, capaz de reabilitar e ampliar a estrutura do conjunto de acordo com a nova programação de uso, excluindo, portanto, qualquer proposta radical de demolição.

Sob esse foco, estabeleceu três linhas estratégicas para a intervenção. A primeira foi eliminar possíveis bloqueios visuais e físicos para ampliar a integração com o entorno. Em segundo lugar, o arquiteto propôs potencializar os ambientes existentes significativos e, por fim, investir em novos elementos arquitetônicos substantivos com o objetivo de minimizar a presença de detalhes construtivos ou “gorduras”, adjetivos desnecessários, como articulações estruturais, fixações e etc. “A minha proposta principal, em síntese, era trabalhar com uma variação mínima e limitada de elementos ou de intervenções”.

A partir da decisão, a equipe de projeto procurou usar técnicas e materiais que melhor se adaptassem a cada parte da intervenção. Assim, foram empregadas estruturas convencionais de concreto no auditório e no centro cultural. Na marquise lateral foram aplicados aço e argamassa armada. O aço volta a aparecer no pórtico de acesso, dessa vez acompanhado de policarbonato e madeira, enquanto nos vãos da área administrativa a opção foi por lajes de concreto protendido. Na cobertura, telhas de alumínio onduladas pré-pintadas de branco garantem maior conforto ambiental sob o sol tropical.

Seguindo essa rota, Guedes definiu os novos espaços. No térreo, na área do antigo bar e salão de jogos, encontram-se o novo centro cultural e um auditório. Saguão de acesso com área para exposições, ambiente de estar, atendimento ao público e administração ocupam a área do antigo dancing, no segundo bloco. O primeiro pavimento, na forma de um mezanino, abriga a câmara técnica, plenário e seções administrativas. “A meu ver”, diz Guedes, “a força do projeto está justamente na valorização da generosidade e flexibilidade dos espaços que as dimensões do antigo edifício permitiram”.

A circulação, mobilidade e acessibilidade mereceram atenção especial. Todos os ambientes são acessíveis de forma clara, por meio de um sistema de rampas e escadas, e uma marquise metálica faz a ligação entre os dois blocos, recebendo o usuário desde a calçada frontal. Quem chega se defronta com um grande pátio de entrada revestido com pedras portuguesas e que conduz ao acesso do edifício todo branco, cuja fachada frontal é diagramada por um pórtico metálico de 10 m de altura. Esculturas e painéis ornamentais de autoria de artistas da região foram integrados ao conjunto e conferem aos ambientes uma atmosfera nobre.

Assim, à esquerda do edifício, surgem as primeiras surpresas: a escultura de cerâmica esmaltada Xamã, de Miguel dos Santos, e um painel cerâmico de 1,40 m x 7 m denominado Barocco, de Rodolfo Athayde. A linguagem da obra de Athayde, com grafismo nas cores amarela e azul, recriam os elementos da azulejaria barroca do convento franciscano de Santo Antônio, um dos mais importantes ícones arquitetônicos da capital paraibana.

Entretanto, a grande surpresa, a epifania, fica por conta do salão principal com 8 m de pé-direito, que funciona como uma grande praça para encontros, exposições, eventos e outros tipos de solenidade. O espaço recebeu um tríptico de 3 x 5,40 m, em pintura acrílica, criado por Rodolfo Athayde especialmente para esse espaço. “O salão”, diz Guedes, “sem dúvida alguma é o coração do projeto, o elemento articulador de todos os espaços do empreendimento, que fluem em dois pavimentos, com amplas esquadrias de vidro que possibilitam uma controlada visibilidade e transparência”.

À esquerda do salão, uma passarela ou rampa adaptada às exigências de acessibilidade conduz ao auditório, de porte médio, com capacidade para 200 pessoas. No foyer do auditório, localizado em um nível intermediário entre os pavimentos, fica uma pequena instalação que expõe documentos históricos da criação do Conselho, seus ex-presidentes e fundadores.

Na parte posterior, um amplo estacionamento foi instalado em um terreno anexado e posteriormente arborizado com espécies típicas da região, como o ipê roxo e cássia, que, na floração, marcam a paisagem da cidade.

 
 
   Acesso principal                                   Saguão                                                         Recepção                                                    Acesso secundário
 
 
 
 
 
 
 
FICHA TÉCNICA
 
Projeto arquitetônico: Gilberto Guedes;
 
Colaboradores: Fernando Galvão, Fabiano Meio,
 
Marcus Queiroz, Christiane Caldas, Mariana Bonates;
 
Área do terreno: 4.937 m²Área construída: 2.450 m²;  
 
Paisagismo: Sérgio Chaves;
 
Engenharia fiscal: Paulo Antônio;
 
Projeto estrutural: Tecncon;
 
Projeto elétrico: Hertz Eletrificação;
 
Ar-condicionado: Engear;
 
Projeto hidrossanitário: Growth e José Ermando;
 
Prevenção contra incêndio: Hamilton de Matos Pereira;
 
Fotos: Ricardo Junqueira;
 
Texto: José Wolf;
 
 
 
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