Rede dos Conselhos de Medicina
CRM-PB Entrevista: Dr João Modesto Filho Imprimir E-mail

O Conselho Regional de Medicina da Paraíba faz parte da rotina de trabalho do médico endocrinologista João Modesto Filho desde a década de 1980. Considerado por colegas e pacientes como exemplo de ética, conhecimento e profissionalismo, ele foi eleito no último dia 1º de abril para presidir novamente a autarquia até o dia 30 de setembro de 2023, sucedendo Roberto Magliano de Morais.

Aos 76 anos, já tendo presidido o Conselho em três ocasiões anteriores (1988-1993 / 2001-2003 / 2003-2004), com uma rotina de trabalho intensa e em plena pandemia, ele assume o desafio com a mesma energia e entusiasmo de quem está iniciando um novo projeto. “Vamos continuar lutando continuamente pela defesa da medicina, de condições dignas de trabalho para o médico e melhor assistência para o paciente, sempre em busca do bem-estar da sociedade”, destaca.


Formado em Medicina pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em 1969, com especialização e Doutorado em Endocrinologia pelo Hospital das Clínicas da USP e Pós-Doutorado pela Universidade de Nancy, na França, atualmente, João Modesto é professor da UFPB e da Famene, gestor do Núcleo de Desenvolvimento Humano da Unimed João Pessoa e diretor da Clínica Diagnóstica. Na entrevista a seguir, ele fala dos planos, dos desafios, das mudanças na relação médico/paciente e ressalta o protagonismo do médico em “um dos momentos mais aterrorizantes dos últimos tempos”.


O sr foi eleito no dia 1º de abril para presidir novamente o CRM-PB. Quais são os principais desafios em estar nesta posição em tempos de pandemia?

A realidade sanitária atual é preocupante e extremamente difícil. Estamos atravessando um dos momentos mais aterrorizantes dos últimos tempos e com uma terrível e acirrada politização. Deveríamos, sim, estar todos unidos, discutindo com prudência e sensatez a busca de soluções. O contexto da pandemia é desafiador, mas que precisa ser enfrentado. Vamos continuar com nossas ações da “Educacao Medica Continuada” com treinamento para os médicos, valorizar cada vez mais o programa “Médicos contra o Coronavírus”’, trabalhar junto às autoridades sanitárias, poder Judiciário, Legislativo e entidades da sociedade civil no combate a esse inimigo, com o papel importante do Ministério Público, lutando continuamente pela defesa da medicina, de condições dignas de trabalho para o médico e melhor assistência para o paciente, sempre em busca do bem-estar da sociedade.


Quais os principais planos do sr a frente do CRM-PB neste mandato de 2,5 anos?

De início, continuar com todas as ações desenvolvidas pelo meu antecessor, Roberto Magliano de Morais, que reativou e deu novo sentido ao CRM, deixando de ser um órgão meramente cartorial e fiscalizador, mas entrando em sintonia com os médicos e a sociedade em geral. Além disso, aferir a qualidade do ensino médico, estimular os jovens médicos a manter o compromisso ético da profissão, estabelecer a necessidade de educação médica continuadamente, potencializar novas lideranças e motivar com condições dignas de trabalho, o que inclui serviços estruturados e honorários adequados. Junto a isso, trabalhar cientificamente com a Associação Médica da Paraíba e outras entidades agregadoras de médicos, como a Unimed, promovendo cursos e atividades afins para levar a todos os médicos paraibanos atualizações diversas e que agreguem conhecimentos para um melhor desempenho profissional. Ter sempre em mente que não basta apenas ensinar medicina, mas procurar ensinar a ser um bom médico.


Como médico, como está sendo lidar com as novas rotinas de trabalho? Muitas mudanças na relação com o paciente?

Alguns processos de comunicação com os pacientes sofreram modificações rápidas, devido à pandemia. Por isso, as discussões que estavam sendo aprofundadas sobre telemedicina tiveram um processo de antecipação que a situação pandêmica atual determinou. A telemedicina já tinha dado passos iniciais antes da pandemia, mas carecia e ainda carece de certos itens. Precisamos torná-la segura tanto para o médico como para o paciente na preservação de dados, da privacidade, mas também na questão legal na emissão de receitas, atestados e demais documentos. A telemedicina não substituirá aspectos importantes na avaliação da saúde do paciente. Ela está chegando para auxiliar o bom desempenho do médico, mas nunca para substituí-lo.


Os profissionais de saúde já estão exaustos em quase um ano de trabalho árduo na pandemia. Qual mensagem o sr pode dar para eles?

É uma enorme preocupação. Os profissionais de saúde são humanos e estão trabalhando quase que acima de limites tidos como usuais. A exigência desse trabalho parece não ter limites. Cada um precisa de todos e todos precisam de cada um. Trabalhamos numa profissão muito nobre e também muito exigente, mas, como disse alguém, é uma profissão que existe para pessoas especiais. Como coloca o CFM, sofremos juntos com pacientes e familiares, mas queremos uma saúde melhor para todos. O médico é um protagonista nesse contexto e é um exemplo de dedicação, conhecimento, hombridade e zelo ético para todos, pois reforça a dignidade da profissão.

Última atualização em Sex, 09 de Abril de 2021 16:09
 
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner