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“Novembro é um mês do chamamento dos homens a uma reflexão sobre sua saúde” Imprimir E-mail

Entrevista: Dr Arlindo Monteiro de Carvalho Junior

drarlindo-fotoA campanha Novembro Azul deste ano, além de alertar sobre o câncer de próstata, pretende aproximar os homens das unidades de saúde e dos consultórios médicos. Durante todo o mês são realizadas ações que estimulam a população masculina a dedicar mais atenção à saúde e se conscientizar sobre a importância da prevenção de doenças. “O Novembro Azul tem como locomotiva o exame da próstata, mas foi desenhado para o atendimento masculino mais amplo. Ao procurar o urologista, temos a oportunidade de fazer uma abordagem mais completa deste paciente”, ressalta o urologista Arlindo Monteiro de Carvalho Júnior.

Com 26 anos de formação médica, graduado em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), especialista em Urologia SBU/AMB, Mestre em Urologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e Doutor em Urologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Arlindo Monteiro de Carvalho Júnior atende em seu consultório particular e é professor associado do Departamento de Cirurgia da UFPB e professor adjunto de Urologia da Unifacisa.


Na entrevista a seguir, além de falar do Novembro Azul, ele alerta sobre o impacto da diminuição da procura dos pacientes pelos consultórios médicos durante a pandemia, ressalta que apesar dos números positivos com relação à covid-19 ainda não é momento de relaxar com as medidas sanitárias, sobretudo a promoção de aglomerações, destaca a importância do diagnóstico precoce para a cura do câncer de próstata e da diminuição do preconceito quanto aos exames urológicos.


Por causa da pandemia de covid-19, muitos homens deixaram de ir ao médico fazer os exames de rotina. Qual impacto isto pode ter no diagnóstico do câncer de próstata?

Certamente. Nesse período de pandemia, pela necessidade de isolamento social, particularmente dos idosos, houve diminuição importante, tanto no número de consultas presenciais (que permitem o exame físico adequado), quanto no número de procedimentos diagnósticos (biópsias e demais exames). Houve uma queda importante também no número de procedimentos para tratamento das principais doenças urológicas, incluindo as neoplásicas como o câncer da próstata, o mais frequente entre os homens. O impacto disso é gigantesco, tendo em vista que foi gerado um passivo de atendimentos acumulados que precisará ser vencido neste período pós pandemia, com o esforço de todos, incluindo os que atuam no Sistema Único de Saúde, mas também dos que atuam na saúde suplementar.  


Este ano, o Novembro Azul aborda a saúde dos homens de uma forma geral, alertando também para outras doenças. Quais são as principais doenças que acometem os homens?

Em verdade, o Novembro Azul tem como locomotiva o exame da próstata, mas foi desenhado para o atendimento masculino mais amplo, a partir dessa porta de entrada. Logo, muitas vezes, ao procurar o urologista com a finalidade de realizar seu exame de rotina, temos o entendimento de que se trata de uma oportunidade para uma abordagem mais completa desse homem, tanto no que tange às principais condições urológicas como o próprio câncer da próstata, o câncer renal, de bexiga e o genital, a disfunção erétil e o planejamento familiar, mas também em relação às doenças cardiovasculares, o diabetes mellitus, e outras neoplasias importantes como o câncer de pulmão e o de intestino, além das questões que envolvem, o alcoolismo, a prevenção de suicídios e educação para o transito e a violência externa, áreas em que os homens jovens são as maiores vítimas. Portanto, novembro é um mês do chamamento dos homens a uma reflexão.


O senhor acredita que ainda há muita desinformação sobre o câncer de próstata e preconceito quanto aos exames?

Hoje menos que antes. E futuramente menos que hoje. A informação está mais fácil, na palma da mão através de um celular conectado à internet. Atualmente a mulher se envolveu nessas questões. Cada homem é um pai, ou um filho, ou um marido, é muito comum chegarem aos consultórios acompanhados de sua filha ou de sua esposa, as vezes até de sua irmã. Cuidar da saúde virou uma preocupação e um hábito familiar. Claro, com a maior longevidade, atendemos ainda uma grande população de idosos nascidos e criados sob aspectos culturais e de formação mais conservadores, com alguma resistência ao exame do toque, mas isso paulatinamente tem mudado.


O câncer de próstata tem mais chances de cura com o diagnóstico precoce. Quando os homens devem procurar o urologista para o início dos exames preventivos?

Sim, claro. Qualquer doença que possa ser diagnosticada em uma fase inicial tem maiores chances de cura e o câncer de próstata é um grande exemplo disso. Geralmente ele dá muita chance para ser descoberto porque apesar de não demonstrar sintomas no começo, se desenvolve lentamente, na maioria dos casos. Isso permite ao homem que tem, em sua rotina de saúde, visitas regulares ao seu urologista, a partir dos 40 anos, seja avaliado e consiga detectar a doença bem no início, quando as taxas de cura são elevadas. Quando iniciar os exames da próstata? De maneira geral a partir dos 50 anos, ou aos 45 quando for obeso, da raça negra ou tiver parentes com histórico de câncer da próstata ou crescimento prostático. Hoje o acompanhamento é mais individualizado e muitos se antecipam e começam sua rotina a partir dos 40 anos.


Como o sr analisa o atual momento da pandemia? Com a diminuição do número de óbitos e de casos de covid-19, o sr acredita que já deve haver a flexibilização das medidas restritivas?

Estamos em um momento bem positivo, a campanha de vacinação está sendo um sucesso e os seus efeitos começaram a ser sentidos através da expressiva diminuição dos casos e dos óbitos pela Covid-19. Mas não é momento para relaxar, por exemplo, em aglomerações. Preocupa-me o período de festas que se aproxima e se estende até o Carnaval, e a questão política que envolveu e continua envolvendo todo o processo de resposta aqui no Brasil. Como médicos, agentes técnicos formados para atuar na promoção, tratamento e reabilitação da saúde, precisamos garantir a liberdade para, com base na ciência e na experiência, atuar com responsabilidade dentro dos princípios éticos seculares da profissão, que é uma profissão universal. 

Última atualização em Qua, 17 de Novembro de 2021 21:04
 
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