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Centro de Referência da Escola de Saúde Pública do Ceará formará profissionais para atender usuários de crack Imprimir E-mail
Ter, 28 de Junho de 2011 11:59

O elevado consumo de crack no Brasil e o avanço do número de usuários no Ceará, são motivos de grande preocupação das autoridades de saúde. Dados da Central Única das Favelas estimam que no País sejam cerca de 1,2 milhão de usuários, 100 mil somente no Ceará. Destes, 30 mil têm entre 12 e 29 anos.

 Embora o número de serviços de atendimento aos usuários de drogas tenha crescido nas últimas décadas - de 1993 até 2010 foram cadastrados 99 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) no estado, o que reflete na cobertura acima de 0,80 CAPS/100.000 habitantes – existe carência de profissionais adequadamente preparados para os desafios da atenção integral.

Para enfrentar o problema, a Escola de Saúde Pública do Ceará, em parceria com a Secretaria da Saúde do Estado, vai lançar no próximo dia 5 de julho, o Centro Regional de Referência para Formação dos Profissionais das Redes de Atenção à Saúde aos Usuários de Crack e Outras Drogas no Ceará.

  O lançamento, que acontecerá, às 9 horas, no dia 05/07, no auditório Ciro Gomes, na sede da ESP-CE (Avenida Antonio Justa, 3161 – Meireles), contará com a presença de autoridades locais e nacionais ligadas as áreas de saúde pública e mental. Na ocasião, o diretor de Projetos Estratégicos e Assuntos Internacionais da Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas da Presidência da República, Vladimir Stempliuk, vai proferir palestra sobre o tema “A Importância dos Centros Regionais de Referência no Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas”.

Atividades do Centro - A Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP-CE) integra a Rede Estadual de Saúde e tem se voltado para as temáticas relacionadas à Saúde Mental. Cursos de capacitação e especialização em Saúde Mental oferecidos pela ESP mostraram a necessidade de se ampliar a formação dos profissionais para o combate ao uso de drogas, observando-se lacuna maior no interior do Estado.

 Nesse foco, a ESP-CE concorreu junto à Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas do Ministério da Saúde com o projeto para a implantação de Centro Regional de Referência na Formação de Profissionais para a Rede de Atenção Psicossocial, Crack e outras Drogas do Estado do Ceará, com o objetivo de relatar o desenho de uma experiência que promova a formação permanente de profissionais das redes de atenção integral à saúde e assistência social com usuários de crack e outras drogas e seus familiares. 

Quatro cursos foram concebidos para públicos distintos: Médicos da ESF e dos Núcleos de Assistência à Saúde da Família (120 h); Profissionais dos Hospitais Gerais; Agentes Comunitários de Saúde, Redutores de Danos, Agentes Sociais e profissionais de consultórios de rua; e Profissionais das Redes SUS e SUAS (60 h). Dos 184 municípios do Ceará foram escolhidos os doze que contam com CAPS-AD, no intuito de dar maior integração aos serviços já disponíveis.

As 300 vagas oferecidas levaram em conta o quantitativo de profissionais das equipes da ESF nas macrorregiões de Fortaleza, Sobral e Cariri. As 60 vagas destinadas inicialmente aos ACS de Fortaleza estender-se-ão aos 600 agentes hoje em treinamento na Etapa Formativa I na ESP, pela estratégia de se utilizar os facilitadores em atividade como multiplicadores. Os cursos iniciarão em julho/2011.

  Ao final da experiência espera-se capacitar 240 profissionais além dos 600 ACS de Fortaleza. Desse modo, potencialmente se fará cobertura de 40% da população do Ceará onde estão alocadas 606 equipes da ESF. 

O crack - A droga é derivada das sobras do refino da cocaína e geralmente é vendida em pedras. Nenhuma outra substância ilícita vendida no país tem semelhante poder de dependência. Apesar de ser menos consumida que outras substâncias, como álcool, tabaco, maconha e cocaína, os danos causados por ela são tão graves que produzem a impressão de que o número de usuários é bem maior. 

A droga surgiu nos Estados Unidos na década de 1980. O primeiro relato de uso no Brasil data de 1989. Desde então, o consumo da substância vem crescendo, principalmente nos últimos cinco anos. Um dos motivos é que o território brasileiro serve de rota para o tráfico internacional. A situação de vulnerabilidade social de muitos jovens e de moradores de rua, como a falta de moradia, também contribui para a disseminação da droga. Embora a substância seja consumida predominantemente por essa parcela da população, qualquer pessoa pode se tornar um usuário dela. 

Os consumidores de crack são expostos a riscos sociais e a diversas formas de violência. Geralmente, quando os efeitos da droga diminuem no organismo da pessoa, ela sente sintomas de depressão e tem sensação de perseguição. Outros sintomas comuns são desnutrição, rachadura nos lábios, sangramento na gengiva e corrosão dos dentes; tosse, lesões respiratórias e maior risco para contrair o vírus HIV e hepatites. 

Controle - As atividades do Centro Regional de Referência na Formação de Profissionais para a Rede de Atenção Psicossocial, Crack e outras Drogas do Estado do Ceará compõem as atividades do Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, uma estratégia interministerial, lançada sob a coordenação da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Ministério da Saúde (SENAD).

Além dos leitos, está prevista a ampliação dos serviços de atenção aos usuários de crack e outras drogas e a qualificação de toda a rede integral para assistência aos usuários no país. O investimento total para estruturar e qualificar a rede de atenção está previsto em R$ 140,9 milhões do Ministério da Saúde e da SENAD.

As medidas estão permitindo intensificar as ações de prevenção do problema, do tratamento dos dependentes e do combate ao tráfico de drogas. Dos 6.120 leitos, 3.620 serão destinados à rede pública de atenção à saúde - em hospitais, Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD) e em Casas de Acolhimento Transitório. Os outros 2.500 leitos serão destinados ao acolhimento em Comunidades Terapêuticas, que se encarregam de acolher, em regime de residência, pessoas com transtornos decorrentes do uso ou abuso de crack e outras drogas, sem comprometimento clínico grave.

 Instituído em maio de 2010, o Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas é composto de ações de aplicação imediata e ações estruturantes. Entre as ações imediatas, destacam-se aquelas voltadas para o enfrentamento ao tráfico de drogas em todo o território nacional, principalmente nos municípios localizados em regiões de fronteira e a realização de uma campanha permanente de mobilização nacional para estimular o engajamento ao plano.

Já as ações estruturantes organizam-se em torno de quatro eixos: integração de ações de prevenção, tratamento e reinserção social; diagnóstico da situação sobre o consumo do crack e suas consequências; campanha permanente de mobilização, informação e orientação; e formação de recursos humanos e desenvolvimento de metodologias. Ao todo, o Governo Federal prevê a destinação de R$ 409 milhões para a execução do plano.

Fonte: Escola de Saúde Pública do Ceará

 

 
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